Nada Importa

Desde de criança eu gosto de me ausentar do público e me isolar em um cantinho longe de todos para pensar na vida. Uma ideia que me acompanha desde sempre é aquela velha ideia que sussurra com um sorriso hipotético bastante sensato: pra que viver, se eu vou morrer?

Eu sinceramente não sei e nunca consegui encontrar essa resposta. Talvez seja a resposta para essa questão seja a chave que abre a porta da felicidade. Ou talvez, ignorar essa questão, é que é o passaporte para um estado um pouco mais consistente de alegria, de satisfação com a vida que se leva. Que nos leva.

Porém, muitas vezes fica evidente que não são as respostas ou as perguntas que importam na existência na qual somos lançados sem consulta. O equilíbrio está justamente entre a necessidade de saber e o sabor de descobrir. Ou seja, o desafio, o esforço. O segredo para uma vida feliz é fazer o que se deseja fazer para alcançar o que se almeja, sem saber a razão da busca, ou o valor real do objetivo que se deseja alcançar. A vida é processo e sentir-se realizado é uma deliciosa sensação de fazer o possível para gostar de si mesmo.

Acho que a vida em si não é um problema. A gente acaba supervalorizando a morte e por isso, consequentemente a vida passa a ser uma responsabilidade imensa, ganha um valor que na verdade não tem. A extinção da vida é uma certeza, e é só uma questão de tempo. E essa ideia de aproveitar a vida ao máximo porque um dia ela vai acabar é pura baboseira. É como supervalorizar o sabor de um delivery que custou caro demais. Ele vai terminar, e se você supervalorizar, só vai sofrer pelo inevitável. Com a vida que se leva, a lógica é a mesma. A melhor maneira de valorizar a vida é aceitar que ela é frágil, simples e terminal. Mas apreciável, ao menos. Eu sinto que até aqui eu não disse nada mais do que o óbvio. Mas um óbvio que ninguém adquire, hehe.

LinkedIn
Pinterest
{{ message }}

{{ 'Comments are closed.' | trans }}